Dois mil e dez marca a celebração da 117 ª edição do Ano Jubilar em Santiago de Compostela e as comemorações se repetem o ano todo

Na missa do Peregrino, aos domingos ao meio-dia, na Catedral, o ponto alto é a celebração do "botafumeiro"
Desembarcar em Santiago de Compostela é uma experiência diferente e um encontro com a fé de um povo que se desloca de longas distâncias para renovar cada vez mais esta fé. Pessoas de todas as idades circulam com pesadas mochilas e amparadas pelo cajado, num ritual que se unifica entre povos de todo o mundo. Todos os caminhos levam à catedral, uma das mais famosas do mundo.
Santiago de Compostela, capital da Galícia, é um centro internacional de peregrinação, reduto de universitários e se divide em histórica e moderna. Esta mistura de povos diversifica os lugares, com predominância dos estudantes, que hoje são maioria. A região recebe seis milhões de turistas todos os anos e os peregrinos são apenas 200 mil.
A parte moderna da cidade é formada por parques, universidades, ruas arborizadas e bem sinalizadas. Mas, é o centro histórico que fascina. São prédios antigos que formam um labirinto de ruas estreitas e paredes gigantes. Não precisa ser realmente católico para se encantar diante de tanta beleza. Basta ser sensível e viver um momento único por ruelas que se entrelaçam em caminhos de fé, devoção e curiosidades. Perder-se no labirinto é um momento especial para desvendar segredos de um passado distante. Santiago de Compostela tem 92.298 habitantes, 46 igrejas, 114 campanários (torres de sinos), 288 altares e 36 congregações.
No meio dos paredões, ecoam guitarras ou violinos, que quebram o silêncio e atraem as pessoas para um momento musical. Quase sempre são forasteiros que tocam por pequenas ajudas e se integram à paisagem em clima de novas emoções. Ainda no Centro Histórico, o turista encontra diversão e bons restaurantes.
A Catedral impressiona no tamanho, nos detalhes e nas celebrações. É o terceiro templo mais importante da Cristandade, depois de Roma e Jerusalém. A construção foi iniciada no século IX, em terreno doado pelo rei Dom Afonso II para erguer uma capela que recolhesse os restos mortais do apóstolo Tiago. A capela foi modificada pelos reis posteriores até o início da obra da catedral, no século XI. O templo mistura estilo românico e barroco. No alto da torre principal está a imagem de Santiago vestido de peregrino, com capa, cajado e chapéu.
A Catedral é rodeada por quatro praças: do Obradoiro, da Acibecharia, das Pratarias e da Quintana. A Praça do Obradoiro é a principal e mais famosa da cidade. Nela estão o Paço de Raxoi, o Hostal dos Reis Católicos e a própria Catedral. O Palácio de Raxoi (século XVIII) é a sede do Conselho e da Presidência da Junta da Galícia.
O Hostal dos Reis Católicos tem uma arquitetura sóbria e se destaca pela elegância de seus hóspedes. O prédio foi construído, em 1500, pelos Reis Católicos para albergar os numerosos caminhantes que se dirigiam a Santiago. Hoje faz parte dos Paradores de Espanha, considerado o hotel mais antigo do mundo e um dos mais belos e luxuosos.
Botafumeiro
A Catedral de Santiago celebra aos domingos, ao meio-dia, a "Missa do Peregrino". O momento é especial para os caminhantes que se encontram no templo e assistem ao ritual do "botafumeiro". Trata-se de um incensário gigantesco, com mais de 60 quilogramas, que, acionado por um grupo de seis homens ("tiraboleiros") por meio de um mecanismo de roldanas, balança como um pêndulo entre as faces norte e sul da Catedral, espalhando fumaça num espetáculo de pirotecnia.
Segundo conta a história, o ritual servia para amenizar o mal-cheiro gerado na igreja pelos peregrinos (que então dormiam e faziam as necessidades dentro dela). Atualmente, faz parte de uma espécie de show que emociona qualquer pessoa. O "botafumeiro" é feito de latão banhado em prata, pesa 62 quilogramas vazio e mede 1,60 metro de altura. É o maior do mundo. A corda que o suspende, atada do cruzeiro da Catedral, é de um material sintético, mede 65 metros, tem cinco centímetros de diâmetro e pesa 90 quilogramas.
Ano Jubilar
O Ano Jubilar Compostelano - também conhecido como Jubileu ou Ano Santo (Jacobeu) - é celebrado desde a Idade Média, por disposição papal, quando o dia do apóstolo Santiago Maior (25 de julho), cujos restos mortais se encontram na Catedral, coincide com um domingo. Isto acontece a cada 6, 5, 6 e 11 anos.
O primeiro Ano Santo, no qual foi dado o perdão aos peregrinos de Compostela, ocorreu em 1126. O último celebrou-se em 2004. O ano de 2010 é o 117º Ano Jubilar Compostelano. Os próximos deste século acontecerão em 2021, 2027, 2032, 2038, 2049, 2055, 2060, 2066, 2077, 2083, 2088 e 2094.
No Ano Santo Jubilar a igreja concede graças espirituais aos fieis, que significa o perdão dos pecados. Para ganhar o Jubileu é preciso cumprir algumas determinações: visitar a Catedral de Santiago, mais precisamente o túmulo do apóstolo; rezar uma oração na intenção do Papa, assistir à celebração da eucaristia e receber os sacramentos da penitência e da comunhão.
Cearenses dão depoimento
O casal Raimundo e Hiran Ferreira, residente em Fortaleza, visitou Santiago de Compostela em maio deste Ano Santo e cumpriu o ritual para receber as graças espirituais. "Foi uma grande emoção", disse Hiran, ao revelar que passou duas horas na fila para entrar pela Porta Santa, que só se abre nos anos jubilares.
Hiran presenciou a chegada de muitos peregrinos e disse que tinha muitas excursões na cidade. O movimento era intenso na Praça do Obradoiro, com gente de diferentes procedências.
Raimundo Ferreira disse que a visita a Santiago de Compostela foi um momento especial, um encontro de muitos idiomas e culturas diferentes, todos com o mesmo objetivo: abraçar o apóstolo Tiago. Um músico de rua com uma guitarra elétrica atraiu a atenção de seu Raimundo, que pediu, em inglês, para ele tocar Garota de Ipanema. O músico respondeu em português, disse que era uruguaio e morou muitos anos no Rio de Janeiro. Neste encontro inesperado, a música brasileira dominou o ambiente.
Para chegar a Santiago de Compostela, o casal viajou pela TAP, Fortaleza/Lisboa/Porto. A partir do Porto, o percurso foi feito de ônibus, durante duas horas e meia de viagem.
Nem só Santiago esteve na rota do casal. Eles fizeram base no Porto e visitaram Fátima, Lisboa, Roma e Madri, desfrutando de preços promocionais praticados nos voos regionais da Europa.
Caminhos existentes
Três principais
Os caminhos que levam a Santiago de Compostela encontram-se sinalizados por setas de cor amarela, no chão, muros, pedras, postes, árvores, estradas e outros. São muitas as rotas delineadas desde a Idade Média, porém, apenas os caminhos Inglês, Francês e Português chegam a Santiago de Compostela. Os outros vão-se juntando a estes três durante o percurso. Com pequenas variações, o trajeto, de 800 quilômetros, pode ser feito em 40 dias a pé. A melhor época para percorrer o Caminho de Santiago é entre a segunda quinzena de abril até outubro. Porém, entre julho e a primeira quinzena de agosto, o peregrino enfrentará as altas temperaturas do verão espanhol e o período de férias na Europa, quando os albergues ficam lotados e com preços mais altos. Em 1993, o Caminho de Santiago de Compostela foi declarado Patrimônio da Humanidade por decreto da Unesco.
Na missa do Peregrino, aos domingos ao meio-dia, na Catedral, o ponto alto é a celebração do "botafumeiro"
Desembarcar em Santiago de Compostela é uma experiência diferente e um encontro com a fé de um povo que se desloca de longas distâncias para renovar cada vez mais esta fé. Pessoas de todas as idades circulam com pesadas mochilas e amparadas pelo cajado, num ritual que se unifica entre povos de todo o mundo. Todos os caminhos levam à catedral, uma das mais famosas do mundo.
Santiago de Compostela, capital da Galícia, é um centro internacional de peregrinação, reduto de universitários e se divide em histórica e moderna. Esta mistura de povos diversifica os lugares, com predominância dos estudantes, que hoje são maioria. A região recebe seis milhões de turistas todos os anos e os peregrinos são apenas 200 mil.
A parte moderna da cidade é formada por parques, universidades, ruas arborizadas e bem sinalizadas. Mas, é o centro histórico que fascina. São prédios antigos que formam um labirinto de ruas estreitas e paredes gigantes. Não precisa ser realmente católico para se encantar diante de tanta beleza. Basta ser sensível e viver um momento único por ruelas que se entrelaçam em caminhos de fé, devoção e curiosidades. Perder-se no labirinto é um momento especial para desvendar segredos de um passado distante. Santiago de Compostela tem 92.298 habitantes, 46 igrejas, 114 campanários (torres de sinos), 288 altares e 36 congregações.
No meio dos paredões, ecoam guitarras ou violinos, que quebram o silêncio e atraem as pessoas para um momento musical. Quase sempre são forasteiros que tocam por pequenas ajudas e se integram à paisagem em clima de novas emoções. Ainda no Centro Histórico, o turista encontra diversão e bons restaurantes.
A Catedral impressiona no tamanho, nos detalhes e nas celebrações. É o terceiro templo mais importante da Cristandade, depois de Roma e Jerusalém. A construção foi iniciada no século IX, em terreno doado pelo rei Dom Afonso II para erguer uma capela que recolhesse os restos mortais do apóstolo Tiago. A capela foi modificada pelos reis posteriores até o início da obra da catedral, no século XI. O templo mistura estilo românico e barroco. No alto da torre principal está a imagem de Santiago vestido de peregrino, com capa, cajado e chapéu.
A Catedral é rodeada por quatro praças: do Obradoiro, da Acibecharia, das Pratarias e da Quintana. A Praça do Obradoiro é a principal e mais famosa da cidade. Nela estão o Paço de Raxoi, o Hostal dos Reis Católicos e a própria Catedral. O Palácio de Raxoi (século XVIII) é a sede do Conselho e da Presidência da Junta da Galícia.
O Hostal dos Reis Católicos tem uma arquitetura sóbria e se destaca pela elegância de seus hóspedes. O prédio foi construído, em 1500, pelos Reis Católicos para albergar os numerosos caminhantes que se dirigiam a Santiago. Hoje faz parte dos Paradores de Espanha, considerado o hotel mais antigo do mundo e um dos mais belos e luxuosos.
Botafumeiro
A Catedral de Santiago celebra aos domingos, ao meio-dia, a "Missa do Peregrino". O momento é especial para os caminhantes que se encontram no templo e assistem ao ritual do "botafumeiro". Trata-se de um incensário gigantesco, com mais de 60 quilogramas, que, acionado por um grupo de seis homens ("tiraboleiros") por meio de um mecanismo de roldanas, balança como um pêndulo entre as faces norte e sul da Catedral, espalhando fumaça num espetáculo de pirotecnia.
Segundo conta a história, o ritual servia para amenizar o mal-cheiro gerado na igreja pelos peregrinos (que então dormiam e faziam as necessidades dentro dela). Atualmente, faz parte de uma espécie de show que emociona qualquer pessoa. O "botafumeiro" é feito de latão banhado em prata, pesa 62 quilogramas vazio e mede 1,60 metro de altura. É o maior do mundo. A corda que o suspende, atada do cruzeiro da Catedral, é de um material sintético, mede 65 metros, tem cinco centímetros de diâmetro e pesa 90 quilogramas.
Ano Jubilar
O Ano Jubilar Compostelano - também conhecido como Jubileu ou Ano Santo (Jacobeu) - é celebrado desde a Idade Média, por disposição papal, quando o dia do apóstolo Santiago Maior (25 de julho), cujos restos mortais se encontram na Catedral, coincide com um domingo. Isto acontece a cada 6, 5, 6 e 11 anos.
O primeiro Ano Santo, no qual foi dado o perdão aos peregrinos de Compostela, ocorreu em 1126. O último celebrou-se em 2004. O ano de 2010 é o 117º Ano Jubilar Compostelano. Os próximos deste século acontecerão em 2021, 2027, 2032, 2038, 2049, 2055, 2060, 2066, 2077, 2083, 2088 e 2094.
No Ano Santo Jubilar a igreja concede graças espirituais aos fieis, que significa o perdão dos pecados. Para ganhar o Jubileu é preciso cumprir algumas determinações: visitar a Catedral de Santiago, mais precisamente o túmulo do apóstolo; rezar uma oração na intenção do Papa, assistir à celebração da eucaristia e receber os sacramentos da penitência e da comunhão.
Cearenses dão depoimento
O casal Raimundo e Hiran Ferreira, residente em Fortaleza, visitou Santiago de Compostela em maio deste Ano Santo e cumpriu o ritual para receber as graças espirituais. "Foi uma grande emoção", disse Hiran, ao revelar que passou duas horas na fila para entrar pela Porta Santa, que só se abre nos anos jubilares.
Hiran presenciou a chegada de muitos peregrinos e disse que tinha muitas excursões na cidade. O movimento era intenso na Praça do Obradoiro, com gente de diferentes procedências.
Raimundo Ferreira disse que a visita a Santiago de Compostela foi um momento especial, um encontro de muitos idiomas e culturas diferentes, todos com o mesmo objetivo: abraçar o apóstolo Tiago. Um músico de rua com uma guitarra elétrica atraiu a atenção de seu Raimundo, que pediu, em inglês, para ele tocar Garota de Ipanema. O músico respondeu em português, disse que era uruguaio e morou muitos anos no Rio de Janeiro. Neste encontro inesperado, a música brasileira dominou o ambiente.
Para chegar a Santiago de Compostela, o casal viajou pela TAP, Fortaleza/Lisboa/Porto. A partir do Porto, o percurso foi feito de ônibus, durante duas horas e meia de viagem.
Nem só Santiago esteve na rota do casal. Eles fizeram base no Porto e visitaram Fátima, Lisboa, Roma e Madri, desfrutando de preços promocionais praticados nos voos regionais da Europa.
Caminhos existentes
Três principais
Os caminhos que levam a Santiago de Compostela encontram-se sinalizados por setas de cor amarela, no chão, muros, pedras, postes, árvores, estradas e outros. São muitas as rotas delineadas desde a Idade Média, porém, apenas os caminhos Inglês, Francês e Português chegam a Santiago de Compostela. Os outros vão-se juntando a estes três durante o percurso. Com pequenas variações, o trajeto, de 800 quilômetros, pode ser feito em 40 dias a pé. A melhor época para percorrer o Caminho de Santiago é entre a segunda quinzena de abril até outubro. Porém, entre julho e a primeira quinzena de agosto, o peregrino enfrentará as altas temperaturas do verão espanhol e o período de férias na Europa, quando os albergues ficam lotados e com preços mais altos. Em 1993, o Caminho de Santiago de Compostela foi declarado Patrimônio da Humanidade por decreto da Unesco.
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